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terça-feira, 9 de dezembro de 2008


É com dentes cerrados e olhos contentes que mordo, baixinho, a vossa brandura:
A classe com que se movem nos recantos escuros dos corredores que intrincam o meu peito, sibilando beijos à minha raiva, batendo o pé ao compasso da minha indiferença...


E é tão mais fácil ser como vós, não é?

Não é?



Não é.

E soubessem vocês que eu hoje não me movo, mas levito sobre o chão;
Que não me perco em noites escuras, porque corro em dias eternos;
Que não grito ternuras à distância, porque a ataco no silêncio que a sufoca;
E que não bato o pé, mas danço, danço, danço sem vos tocar nos ombros,
sem vos pisar os sonhos,
sem vos roubar esperanças.

E tudo porque eu sei que, ao meu ritmo, nenhum de vós se move.






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"Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali..."



-Cântigo Negro-
José Régio

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Tudo isto será, um dia, gasto...






É no momento em que passo as mãos pelo rosto, pela manhã, quando me fito no espelho, que sei que vivo numa casa de portas e janelas seladas; de tectos baixos e chãos de areia preta.

É no choque com a água fria que sinto os anos de ausência de alguém que me veja com olhos de ver, com olhos que não me atravessem, mas que se prendam na doce lentidão da descontinuidade do meu pestanejar.

É no momento em que corro em círculos no meu quarto e levanto pó com os meus pés que sei que ainda sou prisioneira numa caixa de fósforos que já não podem arder.

“Húmidos das minhas lágrimas.”


E então juro que quero sorrir.
Juro que quero sair.
E prometo que ainda sou a mesma quando a última hora do dia dá de si.

Mas eles não querem saber.
Agora tudo o que consigo sentir na boca é gosto dos corações dilacerados
pela fome da madrugada que parte sem olhar para trás e bate com a porta:

num estrondo.
Num fechar de um livro velho.
Num último gole de café queimado que me morde os lábios com amor de plástico.


É no voltar à cama, no cobrir o rosto com o cobertor, no pedir aos deuses que me roubem a vista, que sei que não é para sempre: não, este sono não é para sempre. Esta vontade de não ter vontade, não é para sempre. Este sempre para sempre não é para sempre, porque nunca nada o é eternamente. Nem eu, nem vocês, nem este momento, aqui e agora, que também já passou.
Tudo isto será, um dia, gasto…

Aconchego-me sobre a almofada e durmo um sono solto; sonho um sonho quente: nada é eterno e tudo isto será, um dia, chamas...


... porque eu hei-de parar de chorar
(enterrar este Eu que hoje me arrasa);

E quando aquele fósforo secar,
ainda que nunca me vá perdoar,
Pego fogo a tudo nesta casa.


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"You've built all these rooftops
And painted them all in blue
If all this set just burns up will you paint the ashes?"


-Haunted home-
David Fonseca



sábado, 29 de novembro de 2008

A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida



"Sábio é quem monotoniza a existência, pois então cada pequeno incidente tem um privilégio de maravilha. O caçador de leões não tem aventura para além do terceiro leão. Para o meu cozinheiro monótono uma cena de bofetadas na rua tem sempre qualquer coisa de apocalipse modesto. Quem nunca saiu de Lisboa viaja no infinito no carro até Benfica, e, se um dia vai a Sintra, sente que viajou até Marte. O viajante que percorreu toda a terra não encontra de cinco mil milhas em diante novidade, porque encontra só coisas novas; outra vez a novidade, a velhice do eterno novo, mas o conceito abstracto de novidade ficou no mar com a segunda delas."


-Livro do desassossego-
Fernando Pessoa




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E agora também eu caminho sobre a monotonia, aspirando a que todos os dias tenham para mim qualquer coisa de apocalipse modesto...
À espera de um privilégio de maravilha, que eu sei que virá.

Mesmo que não seja hoje.
Ou amanhã.
Ou convosco.

Mas que virá.




sábado, 17 de maio de 2008

Em bicos de pés

Hoje quis cair no chão.

Quis, deliberadamente, cair e esfolar o joelho; sentir-te latejar na superfície da minha pele.

Quis que o tempo parasse para que eu visse como curo.

Como consigo curar.

Como não sangro para sempre.

Como a dor se dissipa em directa proporção com que coagulo a ferida,

E te cicatrizo.



Hoje quis magoar-me.

Quis decidir que era tempo de doer e escolher de que altura mergulharia no cimento afiado.

Quis eu própria derramar o álcool sobre a carne só para que ardesse.

E sentir-me em chamas.

Quis o poder de poder escolher chorar quando doeu.

Quis limpar as lágrimas com a manga da blusa.

Quis soluçar-te.


“Chorar-te e gritar-te com punhos cerrados. Amar-te e trair-te, tudo no mesmo instante.”



Levantei-me.

Sacudi o pó, bati as mãos e vi-me de pé.

Pus um penso na ferida e não pensei mais que doía, mesmo quando te sentia morder ao de leve.

Não quis levantar-me, mas levantei-me.

Não quis curar-me, mas curei-me.

Não quis amar-te, mas amei-te.

Não quis esquecer-te, mas …




“…o rasgão na minha pele fechou-se. Sem pedir permissão. Sem perguntas. E agora, quando caminho, o meu chão não é cimento: é feito de penas que abraçam os meus pés e de plumas que me beijam os tornozelos magoados.

Rodopio nas palavras que me deixaste e ergo-as como um hino que canto a plenos pulmões. Rabisco na tua mão, com a minha, que não sou tua: sou de mim e dos que me querem. Beijo-te na testa que sou outra, com os teus silêncios de que fiz a musica que me embala, em noites compridas e sem sonhos. Sopro-te com os meus olhos a pessoa que quero ser e mordo-te, na despedida, com os lábios de ontem, para que te lembres de quem, um dia, pensei que eras.

Mas não foste nunca.

Em bicos de pés e quase num tropeço, espreito para lá de ti: sobre o teu ombro esquerdo, a tranquilidade; sobre o direito, o desconhecido. E enquanto tento recuperar o equilíbrio, avisto uma nesga de futuro que me faz confiar na queda.

De novo caio, mas sem vontade… e não me magoo. Porque agora o meu chão é feito de penas que me abraçam os pés… E de plumas que me beijam os tornozelos que magoaste… E de amores que esperam por mim em esquinas de ruas que existem na vida que se estende para lá de ti, e que eu espreitei, quando caí…”

segunda-feira, 17 de março de 2008

Blindfold

Preciso cortar as amarras das fantasias que assolam os recantos da minha mente;
Viver o que há para ser vivido;
Esquecer o que há para ser esquecido;
O que não me foi destinado e me traz presa por vontade.

Preciso de abrir os olhos e Ver.
Não o que quero ver... mas o que existe, de facto, para ser visto.

És a cegueira que me mata e a tontura que me embala no momento em que os meus olhos se rasam de água e me deixam a vista turva.
És o que há para ser vivido e esquecido num só.
És tudo e és nada. Existes e és farsa.

Sonhas de olhos fechados como eu?
Consegues ver-me?

...não.






segunda-feira, 3 de março de 2008

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Hoje não escrevo...




...porque nem um grande poema podia descrever o meu estado de espírito neste momento.

Hoje é um dia bom para se estar vivo. Não me perguntem porquê, é simplesmente assim. Não aconteceu nada, rigorosamente nada de nada e sinto-me bem. Não é um sentir-me bem do género deixa-me-lembrar-de-como-se-respira-e-aguentar-mais-um-bocadinho-que-não-tarda-é-
-noite-e-amanhã-é-um-novo-dia ... é mais um andar nas nuvens tipo sair pela rua e cantar o bubbly da Colbie Caillat. E não sei porquê: não conheci uma pessoa espectacular, não ouvi uma grande música pela primeira vez, não li um livro que me fez pensar, nada. Não saí de casa. Mas tenho a sensação que andei o dia todo no meio do verde. Tenho a sensação que tinha quando era pequena e brincava ao pé do poço, ao lado da grande laranjeira, no monte em que o meu avô vivia, Ribatejo. Não sei explicar. Vejo tudo em slow motion. É como se o mundo fosse de veludo. Tudo é suave. Ahh! Hoje é bom dia para se estar vivo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Afirmação

Hoje vou mais além, trazendo comigo um pedaço de céu dentro do bolso. E agora, depois de tanto tempo sem perceber, sei que o frasco existe apenas para que eu pudesse trazer sempre comigo um pouco deste mar.

Quero que a areia se misture com as ondas que se formam no meu cabelo e que o sol queime a minha pele até ela não ter mais razão de existir. Quero que a noite embale, pela primeira vez, o meu corpo quente e adormecido, e que a brisa me sussurre ao ouvido, histórias lindas....inimagináveis. Eu quero tudo a que tenho direito.

Hoje levantei voo com o vento e descobri que as nuvens têm sabor. Hoje consigo sentir, sem medo, a vida na minha boca.

Desprezo, sem pena ou vergonha, todos aqueles que não têm coragem de sorrir. Que nunca voam com o vento, carregam consigo o céu ou sentem a vida entre os lábios. Coragem não é não ter medo de fazer algo, mas sim, ter medo de fazer algo e faze-lo na mesma. Eu hoje sou corajosa.

Para quê então ficar à espera? Tenta, luta, sonha e ousa! Ou conforma-te com a tua pequenez. Sem lágrimas, sem lamentações.

Hoje, destemida, vou mais longe, deixando para trás um mundo que não compreendo, desejo ou aceito. Hoje, trazendo comigo a memória daquela praia, faço questão de não ouvir todos aqueles que me condenam por ser livre.


- 26 De Agosto de 2003

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Sem título

Coragem?...Covardia?...

Desespero.

É olhar para baixo de um décimo andar.

É ver um sinal de trânsito sempre aberto.

É sentir o chão que constantemente dança.

É silenciosamente gritar no íntimo dos sentidos.

«A efervescência da vida…»

É passar 96 horas em branco.

É não comer para que o estômago se contorça.

É mastigar a língua para que não haja verdade.

É não chorar para que os olhos não ardam.

«Há que se assistir à própria Morte. Ser-se lúcido e consciente.»

É uma tontura ao levantar de um banco de jardim.

É perseguir pombos numa praça.

É queimar os lábios num filtro de cigarro.

É dormir de olhos abertos.

«O sono que surge de parte incerta…”do nada, nada pode nascer”…»

É uma corda que não quebra.

É um mocho podre de um avô morto.

É saber que as estrelas morrem.

É uma madrugada perfeita em que fechamos os olhos.

«E finalmente adormecemos.»

Coragem?...Covardia?

Coragem.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Tropeço em ti vezes sem conta: fazes-me perder o equilíbrio. Acredito, por segundos, que me vais fazer cair. Que me vais deitar por terra. E quase me vejo no chão…

Mas não caio; e recupero o meu balanço; e sigo caminho.

E amanhã, quando te vejo, contorno-te. Grito-te com os meus olhos que a mim ninguém me rouba o chão dos pés. Nem mesmo a pessoa que vira o meu mundo do avesso.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Take only memories, leave nothing but footprints


Um dia largo tudo e vou por esse mundo fora. Morro feliz e completa se puder dizer que vi tudo o que havia para ver, que conheci as pessoas mais estranhas e que morrer é a única coisa que me falta fazer. Um dia ... juro que um dia largo tudo e corro o mundo, de chinelo de dedo e mochila às costas, com as calças de ganga rasgadas de tanto uso e com a t-shirt mais velha que tenho. Ah...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

There's something about Seattle...

"(...) But we are an elite race of our own
The stoners, junkies, and freaks."




(junkhead, Alice in Chains)