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domingo, 14 de dezembro de 2008

A segunda à direita e sempre em frente, até de manhã




"O número vinte e sete era apenas a uns metros de distância, mas caíra um pouco de neve e os Darling escolhiam o caminho cautelosamente para não sujarem os sapatos. Eram as únicas pessoas na rua e todas as estrelas os observavam. As estrelas são belas, mas não podem tomar parte activa em nada, têm de ficar ali para sempre, a olhar. É um castigo que lhes foi imposto por qualquer coisa que fizeram há já tanto tempo que nenhuma hoje se lembra do que foi. As mais velhas ficaram com olhos de vidro e raramente falam (o piscar é a linguagem das estrelas), mas as pequeninas só pensam. Não são muito amigas de Peter, que tem a mania maldosa de se esgueirar por trás delas e querer apagá-las, mas gostam tanto de brincar que estavam do lado dele naquela noite e desejosas de tirar os adultos do caminho. Por isso, mal se fechou a porta do vinte e sete, depois de o senhor e a senhora Darling entrarem, ouve rebuliço no céu, e a mais pequenina de todas as estrelas da Via Láctea gritou:

- Agora, Peter!"


-Peter Pan-
J. M. Barrie




* * *


Tantas, tantas saudades daqueles tempos...






Um peito que canta o fado tem sempre dois corações


"... e soubesse eu artifícios
de falar sem o dizer
não ia ser tão difícil
revelar-te o meu querer...

a timidez ata-me a pedras
e afunda-me no rio
quanto mais o amor medra
mais se afoga o desvario...

e retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar

e o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar..."



-Não sei falar de amor-
Deolinda






***

Um album que me ensinou que
Lisboa não é a cidade perfeita, mas Mal por mal, mais vale mandar todos Fon-fon-fon, porque isto Contado ninguém acredita.
Porque na casa ao lado, há sempre uma canção que nos espera.






sábado, 6 de dezembro de 2008


"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."


-
Friedrich Nietzsche-



sexta-feira, 14 de novembro de 2008



"(...) E naquele lugar adormecemos, por fim, exaustos, como se adormecêssemos no fim do mundo.
Hoje, nada mais se move, mesmo no fundo da memória. Caminhamos sob o mapa das constelações, tão antigo quanto os homens e os animais da terra - tão antigo quanto a morte e a vida. Ao longe, vemos o clarão de néon húmido da cidade. Pernoitamos na orla de um tempo sem relógios, e de manhã choramos ao encontrarmos nossos corpos abraçados na intensa nudez das açucenas.
Enquanto dormias a meu lado mantive-me acordado, e sonhava contigo. Dizia para mim mesmo aquilo que não sabia dizer-te quando acordasses:

Vem e cobre a minha sombra cansada, antes que o vento a disperse ao amanhecer. Pega-me nas mãos, apaga a dor da luz nas pálpebras e leva-me. Leva-me se puderes, de regresso à noite das cidades, ou estaremos condenados a arder no acre suco dos eufórbios..."



-Lunário-
Al Berto



terça-feira, 11 de novembro de 2008

E tu... não me hei-de esquecer da tua voz.





"Esta mesma rapariga, entenda as mulheres quem puder, que é a mais bonita de todas as que aqui se encontram, a de corpo mais bem feito, a mais atraente, a que todos passaram a desejar quando correu a voz do que valia, foi afinal, uma noite destas, meter-se por sua própria vontade na cama do velho da venda preta, que a recebeu como chuva de Verão e cumpriu o melhor que podia, bastante bem para a idade, ficando por esta via demonstrado, mais uma vez, que as aparências são enganadoras, e que não é pelo aspecto da cara e pela presteza do corpo que se conhece a força do coração."


-Ensaio sobre a cegueira-
Saramago







segunda-feira, 5 de maio de 2008

Maid of Athens, ere we part... Give, oh give me back my heart!





"Have you ever been in love? Horrible isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens up your heart and it means someone can get inside you and mess you up. You build up all these defenses. You build up a whole armor, for years, so nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life... You give them a piece of you. They didn't ask for it. They did something dumb one day, like kiss you or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so simple a phrase like 'maybe we should be just friends' or 'how very perceptive' turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a body-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. Nothing should be able to do that. Especially not love. I hate love."



("Rose Walker" in The Sandman)